Zero Horizon
Um anúncio do nosso mais novo projeto
Queridos subscritores,
Hoje é um dia muito importante para mim. Hoje, oficialmente, o projeto que organizei e construí com três colegas do mestrado que fiz na Irlanda finalmente está sendo anunciado para o mundo. Trata-se de uma iniciativa que visa ao retorno da Polimatia na era da hiperespecialização — nossa pequena contribuição à nova Renascença Digital — baseada na união entre uma comunidade on-line, uma revista cultural-científica, e um serviço de consultoria para negócios e instituições acadêmicas.
O site está para ser lançado em breve. Por agora, gostaria de convidá-los para nos seguir no Instagram:
E introduzi-los ao projeto, já que uma parte dele será baseado em uma comunidade on-line.
Há algo de fundamentalmente equivocado no modo como o conhecimento tem sido produzido — e é provável que muitos de vocês já tenham sentido isso. A indústria do conhecimento contemporânea recompensa a profundidade dentro de fronteiras cada vez mais estreitas. Nos postos de trabalho, sabe-se cada vez mais sobre cada vez menos; não há incentivos para alimentar qualquer chama de ambição sintética ou transcendente. O furor ético e a amplitude de preocupações são perigosos. Potencialmente desestabilizadores. Qual o valor da incerteza?
O que enfrentamos não é uma crise de rigor, pois o rigor técnico que encontramos hoje por aí é muitas vezes extraordinário. Tanto a pesquisa acadêmica quanto a pesquisa puramente funcionalista dentro de grandes empresas e fundos de investimento nunca foi tão rigorosa em seus métodos, suas bases, suas afirmações. O problema é outro: trata-se, na verdade, de uma profunda crise de relações. É a perda da capacidade de perguntar como os fragmentos que investigamos, como os pedacinhos da vida coletiva aos quais nos dedicamos cotidianamente se conectam à totalidade dos eventos desse mundo a que chamamos de ‘moderno’.
A Zero Horizon foi construído precisamente como uma tentativa de resposta a essa situação. Não se trata de crítica pura, mas de um esforço para cultivar, a partir de dentro das engrenagens do Capitalismo, uma nova forma de trabalho intelectual e sua utilidade. A Zero Horizon é baseada em um círculo virtuoso entre três bases, uma comunidade on-line, uma revista cultural-científica, e um serviço de consultoria dialético orientado pelos resultados compilados na comunidade e na revista. O projeto estrutura-se sobre uma premissa inegociável: pensar a partir de relações, o que significa manter a excelência e os fundamentos de um ponto de vista analítico particular enquanto se investiga ativamente como esta percepção e seus achados se conectam aos demais. Como os fenômenos se interrelacionam? Como estão ligados? Com que forças?
A comunidade on-line da Zero Horizon não opera como uma rede social comum, mas como uma verdadeira arquitetura intelectual — uma micropolis onde também se habita mas cujos diversos ambientes foram pensados para serem transformados pela sua participação, cada um estimulando diferentes modos de presença, de atenção e de interação. O objetivo é que, com o tempo, esta micropolis reflita nossos membros, suas vontades, suas necessidades, seus interesses. Destaco aqui os ambientes centrais que montamos:
A Biblioteca: Onde guardamos nossos mapas para orientação antes da pesquisa. Seu acervo será construído a partir de uma curadoria cuidadosa de ensaios e listas de leitura, organizados não por disciplinas estanques, mas pelas tensões e problemas centrais que os animam, além dos documentos produzidos em conjunto com a comunidade, de assessoria de carreira a debates promovidos por nossa equipe.
O Átrio: O espaço comum onde membros poderão conhecer uns aos outros, e onde os anúncios mais gerais serão publicados. Nossa ideia é que ele funcione como o coração da comunidade, um espaço livre de pressões, mas altíssima voltagem emocional e intelectual. Aqui irão ocorrer nossas provocações diárias, a partir da apresentação de dilemas sem respostas fáceis e minidebates semanais baseados em citações a livros ou filmes.
O Anfiteatro: O espaço para a sínteses longamente trabalhadas. Destinado a palestras e cursos mais longos e apresentações de pesquisa com rodas de discussão, onde a exposição de um membro deve ser recebida com escuta atenta e respondida como o início de uma conversa séria, jamais como o seu fim.
A Sala de Esboços: O ambiente onde o trabalho bruto sofre pressão e calor para tornar-se diamantino. Aqui, oferecemos serviços de revisão de manuscritos, ensaios e capítulos de tese, além de mentorias focalizadas, promovendo encontros transformadores com a sua escrita e o seu pensamento.
As Encruzilhadas: Nossa infraestrutura de conexão e networking, onde estimulamos o encontro entre potenciais parceiros de pesquisa e de estudos, e de divulgação de oportunidades, operando sob a confiança de que a comunidade oferece bens comuns de usufruto mútuo, e não uma audiência a ser impressionada. O que importa é, muito menos, como em outras plataformas, “vender-se”, e muito mais o fazer.
Se vocês buscam um espaço para transcender as trincheiras da hiperespecialização a partir de uma nova Polimatia, moderna, digital, cooperativa, este, esperamos, será o lugar.
A todos os interessados em conhecer mais ou participar, por favor, sintam-se confortáveis para contatar-nos diretamente por meio do Instagram.
Espero que tenham gostado dessa atualização animadora!





Já estou salvando para ler com uma xícara de café. O tema me interessa muito